Inglaterra.
2011. Já havia um ano
que eu o conhecia e o tempo só fez aumentar todo o meu sentimento por ele.
Nossas famílias sempre foram contra, afinal eu era da burguesia e ele um
simples plebeu, assim meu pai falava. Mesmo estando em pleno século XXI às
pessoas ainda eram acostumadas a usar termos do século XVIII, meu pai um
coronel do exército britânico, minha mãe uma dondoca, e eu... Uma sonhadora. O
pai dele um mecânico, a mãe dele uma dona de casa, e ele... Um incrível
desenhista.
A
forma como eu o conheci foi um pouco diferente dos demais casais. Eu estava me
sentindo péssima, uma pessoa inferior a qualquer um, creio que até uma reles
barata era melhor do que eu naquele instante, resolvi então acabar com tudo,
acabar com o meu sofrimento. Uma ponte, um bom lugar para dar fim a um
sofrimento, a várias desilusões. E foi assim mesmo, vesti um simples e delicado
vestido branco, meus cabelos se formavam em cachos castanhos ao fim de minhas
costas, caminhei até a ponte Tower Bridge, uma bela ponte onde poucos passavam
por lá. Lágrimas de dor já caíam dos meus olhos quando eu levantei minha perna
direita para cima do beiral daquela ponte, logo após a perna esquerda, me
segurei nos fios que a sustentava, respirando fundo pensei em me jogar logo,
foi quando ouvi uma voz suave atrás de mim.
–
Não faz isso linda – virei meu rosto
para trás e lá estava ele, um menino branco dos cabelos castanhos, com a pele
lisa e os olhos cor de mel. – Não
estrague sua vida seja lá porque for – então ele sorri, e que sorriso lindo.
–
Você não me conhece, por que tenta me
ajudar? – eu exclamei virando meu rosto mais uma vez, estando somente por
um fio de cair.
–
Ei calma, se não você pode vir a cair –
ele tentava me acalmar de uma forma como se realmente se importasse comigo. – Eu não te conheço, realmente não deveria
estar por aqui, mas estava passando, por uma casualidade, e vi seus cabelos
voarem e você aos prantos querendo se jogar. Por favor, não faz
isso.
A
voz dele estava me acalmando, me confortava a forma como ele falava, seus olhos
suplicavam para que eu parasse, respirei fundo e fui me mexendo para pode sair
daquela beira do precipício. Foi quando em um descuido da minha parte
escorreguei, desequilibrando-me e partindo para uma queda drástica, em fração
de segundos tudo aconteceu. Eu não havia percebido que ele estava tão próximo a
mim, mas ele estava, e no momento em que eu me vi caindo em minha mente, ele
havia me agarrado pela cintura e me segurado com tanta força que fez nossos
corpos caírem por sobre a calçada, me mantendo longe daquele lugar onde há
segundos atrás seria cena de uma morte terrível se transformou em um inicio de
uma história a dois.
Nossos
olhares se cruzaram, e permanecemos assim durante um tempo. Ele deitado ao chão
e eu por cima de seu corpo, meus cabelos cismavam de cair por sobre meu rosto.
Seu sorriso era tão lindo, e a forma como ele me olhava me fazia ficar tímida,
um tanto contraditório falando de mim.
–
Obrigado – exclamei depois de minutos
tendo esse frenesi todo.
–
Não precisa agradecer, fiz porque não
aguentaria pensar e ver aquela cena por mais nenhum segundo – ele disse com
um sorriso torto.
–
Mas ainda me pergunto, por que exatamente
me ajudou? – indaguei fazendo careta.
Ele
sorriu, já disse que o sorriso dele é lindo? Então, ele sorriu colocando meus
cabelos parar trás e no mesmo instante fechei meus olhos ao suspirar.
–
Conhece algo chamado destino? –
balancei a cabeça com um sim – Então, foi
ele que me trouxe até aqui nessa madrugada gélida e sem cor, para que eu
pudesse salvar a vida da razão do amanhecer colorido.
Meus
olhos permaneciam fechados sentindo o toque dele sobre meu rosto, a cada
palavra nossos corações se sacudiam em um compasso que naquele instante
pertencia a nós. Foi quando senti sua respiração mais próxima que meus olhos se
abriram me fazendo levantar bruscamente.
Ele
franziu a testa como se perguntasse se havia feito algo de errado, eu
simplesmente sorri.
–
Então, poderia saber o nome do meu herói?
– exclamei dando-lhe a mão para ajudá-lo a se levantar. Ele a segurou
levantando e, como sempre, sorrindo.
–
Romeu – disse me olhando com aqueles
olhos cor de mel – E o seu pequena?
Não
me segurei e me deixei sorrir com a coincidência dos nossos nomes – Julieta – respondi entre meus sorrisos
tímidos.
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