Minha família vem de uma linhagem de reis, sou a princesa
Elizabeth. Um belo dia, meu pai informou que teríamos que viajar para um
pequeno vilarejo em Boston, pois ele teria que resolver assuntos do seu
reinado. No caminho para o vilarejo, avisto pela janela da carruagem um castelo
imenso no pico de uma montanha, me viro para meu pai e ele me diz que é lá que
iremos ficar; um arrepio sobe pela minha espinha, um tremor chaga em minhas
pernas, algo totalmente misterioso toma conta de mim. Alguns minutos depois,
chegamos ao pico daquela montanha, mais precisamente em frente ao castelo
Keaton Corners; quando desço de minha carruagem vejo aquelas enormes portas de
madeira se abrindo sozinha e de dentro do castelo sai um vento frio e
aterrorizante. Agarrei a mão do meu pai na esperança dele sentir o mesmo tremor
que eu, mas ele nada fez. Seguimos para dentro do castelo, ao entrar pude
perceber que o castelo é tão aterrorizante por dentro quanto por fora, cheio de
móveis de madeira velho, quadros de gente que nunca vi na vida (e que provavelmente estão mortas)
pendurada na parede, um lustre dourado que continha uma luz que estava piscando
sem parar, uma decoração muito macabra por assim dizer, algo de dar medo a
qualquer um, uma escada cumprida leva para os andares de cima.
Meus passos me levam a
caminhar sem deixar de notar em cada mínimo detalhe daquele lugar, me deparo
com um mordomo com aparência velha e muito pálida, meu coração por um instante
pareceu querer pular para fora, logo o velho homem me dirigiu aos meus
aposentos. Desfaço minhas malas enquanto a noite começava a cair. Na hora de
dormir, ao deitar em minha cama, que estava a ranger muito, fecho meus olhos na
esperança de dormir e aquele nervosismo acabar, mas de repente começa uma
grande tempestade, raios e trovões ecoavam em meu quarto fazendo-me tremer da
cabeça aos pés; levanto-me na intenção de correr para o quarto do meu pai, mas
as luzes se apagam, um desespero tomou conta de mim e começo a gritar, porém
sem sucesso, parecia que ninguém podia me escutar, tento correr mais minhas
pernas estão paralisadas.
Escuto um grito de uma
criança, começo a andar seguindo aquela voz, mas parece que ela vai se
afastando cada vez mais, corro em direção a ela, mas não consigo alcançá-la, um
desespero toma conta de mim, pois não sabia o que estava acontecendo com a
criança; então do nada uma lamparina se acende e vejo aquela menina pálida, sem
roupas, com a aparência muito triste, não consegui evitar o grito que ecoou com
o susto. Quando tento chegar perto, ela começa a correr, corro em sua direção
quase tropeçando em meio aos degraus da escada. Observo aquela criança passando
pela porta principal do castelo, do lado de fora ainda caía uma intensa chuva,
sem contar o frio que estaria fazendo, me preocupo com aquela menina no frio e
corro para fora em sua direção, mas logo sou golpeada pelo frio ao deixar os
portões apenas trajando uma fina camisola. Meus passos se aceleram na esperança
de alcançar a criança, mas assim como apareceu do nada ela desapareceu bem a
minha frente, se tratava de um espírito.
Dei um passo para
frente e me deparo com o fim da montanha, um penhasco com um precipício sem
fim, fecho meus olhos fortemente e quando tento voltar o passo para trás sinto
algo me empurrando... Abro os olhos! Tratava-se do meu pai, ele estava ao meu
lado, e eu ainda estava dentro da carruagem, mas o que será que aconteceu
comigo? Tudo não passou de minha imaginação? Sinto um breve alivio. Mas ao chegar
à frente do castelo sinto o mesmo arrepio que antes e então percebo que tudo
estava igual ao que vi antes. A noite começava a cair e tudo que aparentemente
parecia só um sonho começou a se tornar realidade, agora caía à ficha, tudo o
que eu pensei ser um sonho se tratava de uma premonição. E ao chegar a frente
do penhasco e ver aquele precipício não contive as lágrimas, dou um passo pra
trás e sinto aquela mão a me empurrar, quando me viro na esperança de encontrar
meu pai ali, mas não, era a pequena menina. — O que está fazendo aqui? Por que
disso? — Intrigada, não conseguia conter as lágrimas que ainda desciam. A
menina por sua vez simplesmente sorri. — Preciso do seu sacrifício para meu
espírito ser liberto, de igual modo você terá que sacrificar alguém nesse lugar
para se libertar, ou seu espírito ficará a vagar nesse castelo, como o meu
estava. — Depois de ouvir isso sou empurrada para trás com uma força que
desconhecia, em seguida um clarão e depois a escuridão, estava morta.
E essa é a tradição do Castelo Keaton Corners. Atualmente vivo a
vagar nele em busca de alguém para tomar o sacrifício em meu lugar. Você deve
está se perguntando como estou me comunicando com você. Simples: isso é uma voz
que está ecoando em sua cabeça, fazendo sua imaginação fluir... Mas cuidado
você pode ser o escolhido para o sacrifício.