quarta-feira, 30 de junho de 2010

A Tradição do Castelo Keaton Corners


Minha família vem de uma linhagem de reis, sou a princesa Elizabeth. Um belo dia, meu pai informou que teríamos que viajar para um pequeno vilarejo em Boston, pois ele teria que resolver assuntos do seu reinado. No caminho para o vilarejo, avisto pela janela da carruagem um castelo imenso no pico de uma montanha, me viro para meu pai e ele me diz que é lá que iremos ficar; um arrepio sobe pela minha espinha, um tremor chaga em minhas pernas, algo totalmente misterioso toma conta de mim. Alguns minutos depois, chegamos ao pico daquela montanha, mais precisamente em frente ao castelo Keaton Corners; quando desço de minha carruagem vejo aquelas enormes portas de madeira se abrindo sozinha e de dentro do castelo sai um vento frio e aterrorizante. Agarrei a mão do meu pai na esperança dele sentir o mesmo tremor que eu, mas ele nada fez. Seguimos para dentro do castelo, ao entrar pude perceber que o castelo é tão aterrorizante por dentro quanto por fora, cheio de móveis de madeira velho, quadros de gente que nunca vi na vida (e que provavelmente estão mortas) pendurada na parede, um lustre dourado que continha uma luz que estava piscando sem parar, uma decoração muito macabra por assim dizer, algo de dar medo a qualquer um, uma escada cumprida leva para os andares de cima.

Meus passos me levam a caminhar sem deixar de notar em cada mínimo detalhe daquele lugar, me deparo com um mordomo com aparência velha e muito pálida, meu coração por um instante pareceu querer pular para fora, logo o velho homem me dirigiu aos meus aposentos. Desfaço minhas malas enquanto a noite começava a cair. Na hora de dormir, ao deitar em minha cama, que estava a ranger muito, fecho meus olhos na esperança de dormir e aquele nervosismo acabar, mas de repente começa uma grande tempestade, raios e trovões ecoavam em meu quarto fazendo-me tremer da cabeça aos pés; levanto-me na intenção de correr para o quarto do meu pai, mas as luzes se apagam, um desespero tomou conta de mim e começo a gritar, porém sem sucesso, parecia que ninguém podia me escutar, tento correr mais minhas pernas estão paralisadas.

Escuto um grito de uma criança, começo a andar seguindo aquela voz, mas parece que ela vai se afastando cada vez mais, corro em direção a ela, mas não consigo alcançá-la, um desespero toma conta de mim, pois não sabia o que estava acontecendo com a criança; então do nada uma lamparina se acende e vejo aquela menina pálida, sem roupas, com a aparência muito triste, não consegui evitar o grito que ecoou com o susto. Quando tento chegar perto, ela começa a correr, corro em sua direção quase tropeçando em meio aos degraus da escada. Observo aquela criança passando pela porta principal do castelo, do lado de fora ainda caía uma intensa chuva, sem contar o frio que estaria fazendo, me preocupo com aquela menina no frio e corro para fora em sua direção, mas logo sou golpeada pelo frio ao deixar os portões apenas trajando uma fina camisola. Meus passos se aceleram na esperança de alcançar a criança, mas assim como apareceu do nada ela desapareceu bem a minha frente, se tratava de um espírito.

Dei um passo para frente e me deparo com o fim da montanha, um penhasco com um precipício sem fim, fecho meus olhos fortemente e quando tento voltar o passo para trás sinto algo me empurrando... Abro os olhos! Tratava-se do meu pai, ele estava ao meu lado, e eu ainda estava dentro da carruagem, mas o que será que aconteceu comigo? Tudo não passou de minha imaginação? Sinto um breve alivio. Mas ao chegar à frente do castelo sinto o mesmo arrepio que antes e então percebo que tudo estava igual ao que vi antes. A noite começava a cair e tudo que aparentemente parecia só um sonho começou a se tornar realidade, agora caía à ficha, tudo o que eu pensei ser um sonho se tratava de uma premonição. E ao chegar a frente do penhasco e ver aquele precipício não contive as lágrimas, dou um passo pra trás e sinto aquela mão a me empurrar, quando me viro na esperança de encontrar meu pai ali, mas não, era a pequena menina. — O que está fazendo aqui? Por que disso? — Intrigada, não conseguia conter as lágrimas que ainda desciam. A menina por sua vez simplesmente sorri. — Preciso do seu sacrifício para meu espírito ser liberto, de igual modo você terá que sacrificar alguém nesse lugar para se libertar, ou seu espírito ficará a vagar nesse castelo, como o meu estava. — Depois de ouvir isso sou empurrada para trás com uma força que desconhecia, em seguida um clarão e depois a escuridão, estava morta.

E essa é a tradição do Castelo Keaton Corners. Atualmente vivo a vagar nele em busca de alguém para tomar o sacrifício em meu lugar. Você deve está se perguntando como estou me comunicando com você. Simples: isso é uma voz que está ecoando em sua cabeça, fazendo sua imaginação fluir... Mas cuidado você pode ser o escolhido para o sacrifício.





 

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